Como treinar e aperfeiçoar algo natural? Brincando!
Tenho o privilégio de jogar rugby ao lado dos melhores e mais habilidosos jogadores do Brasil, e por estar também do lado de fora do campo, como treinador, tento sempre analisar o que eles têm que os tornam tão especiais e como se tornaram assim. Faço essa análise buscando sempre achar respostas na tentativa de levar soluções para auxiliar os jovens que treino a serem, desta forma, também distintos. E com a inclusão do seven-a-side nos jogos olímpicos passei a olhar para os jogadores habilidosos com mais atenção.
Mas afinal, toda essa habilidade, mobilidade, capacidade de fintar, dar side-steps e deixar opositores no chão é um dom ou uma capacidade que pode ser treinada?
Olhando a tradução da palavra side-step, encontrei algo como fugir, tirar o corpo fora, evitar; dar um passo para o lado; até então nenhuma novidade. Mas notamos que alguns jogadores conseguem fazer isso com tanta simplicidade e de forma tão natural e alegre que nos dá a impressão de estarem caçoando dos adversários dentro de campo, como crianças brincando de pega-pega. E talvez essa seja a resposta, brincar.
Vários autores citam que a mobilidade é algo natural na primeira infância e se mostra de maneira tão evidente que não necessita ser treinada, porém na pubersência (por volta dos 11 aos 14 anos) essa capacidade apresenta uma diminuição, deste modo, sendo o momento ideal para ser treinada. Lógico que para que esta capacidade vire uma ferramenta de jogo é necessário que outras valências físicas, que auxiliam na execução do side-step, da finta e do drible sejam inseridas no treinamento, como a coordenação motora, a potência e a velocidade.
Apesar disso não se deve treinar, nesta idade, com exercícios maçantes de finta em cones, etc. A forma mais divertida de manter essa capacidade, tão importante num jogo de rugby, é justamente conservar-los brincando, levar brincadeiras para os treinos, passa-poste (ou mamãe da rua), pique bandeira, polícia e ladrão, pega-pega entre outras, e assim com muita diversão e descontração ir inserindo uma ou mais bolas de rugby. Desta forma, não só acontecerá a manutenção desta mobilidade nos jovens, como também acarretará um aprimoramento da mesma, sem contar que, sem dúvida alguma, deixará o treino mais divertido, e estimulante, pois estarão em contato com o esporte, brincando!
Henrique Dantas

Famoso – e nao é q vc escreve bem parceiro?
Esse lado nao conhecia nao!
Valeu!
Pedro Ernesto
Muito bom, Henrique!
Trabalhei muito isso com as categorias de base no Basquete. Era uma forma simples e divertida de trabalhar a coesão grupal e, ao mesmo tempo, ir aprimorando a técnica e buscando essa memória corporal.
Adorei, Bjs.