O rugby moderno exige que todos saibam executar varias funções em campo.
Entenda um pouco mais sobre o rugby de hoje em dia nas palavras de Henrique Dantas.
Continuação:
Já foi o tempo em que cada jogador de rugby tinha sua função definida através do número que carregava nas costas, os pilares eram gordinhos e de “baixo teor intelectual”, os segundas linhas os grandões que apenas sabiam abaixar e empurrar e assim seguia a descrição até chegar nos pontas que eram os bonitinhos que usavam shortinhos curtos para mostrarem as pernas para a torcida. Vemos hoje centros com porte de primeira linha, pontas que certamente jogariam com a camisa número 4, hookers correndo como terceiras linhas e halfs tão fortes quanto centros.
Com a evolução da preparação física e da maneira de jogar rugby os jogadores estão cada vez mais parecidos entre si, tanto fisicamente quanto na maneira de jogar.
O rugby moderno exige que, após as formações fixas, todos os jogadores saibam agir de acordo com a necessidade do momento do jogo, todos devem ter a capacidade de “ler” o jogo, sabendo destingir as situações em que o jogo se apresenta e ter a habilidade de executar o que deve ser feito no momento, em algumas ocasiões executando um passe longo como um abertura, e em outras situações, indo para o contato com a potência de um forward.
Essas competências técnicas, tanto de leitura de jogo, compreensão dos aspectos táticos do rugby, como capacidades de execução de diferentes tarefas e funções devem ser trabalhadas pelos técnicos das categorias de base. O trabalho da categoria de base deve ser de construir um jogador polifuncional, para que quando adulto este seja um atleta completo e possa vir a ser polivalente.
É tarefa dos treinadores das categorias de base trabalhar todos os aspectos do jogo com todos os jogadores. Por mais pesado e lento que um jogador possa ser ele deve saber executar, ao chegar no juvenil, um passe de 20 metros com qualidade e por mais leve e rápido que o outro seja, deve saber entrar em contato com contundência e conseguir manter a posse de bola, mas não só isso, todos devem passar por todas as posições antes de definir qual ele se especializará. É uma tarefa difícil, mas como treinadores da base temos, muitas vezes, que abrir mão do resultado mediato para pensarmos em longo prazo, muitas vezes colocando em alguns jogos aquele jogador mais gordinho como abertura, centro ou full back, e da mesma forma colocar os jogadores da linha para formarem scrum e line out.
É lógico que cada jogador tem sua característica, alguns mais definidores, outros mais criadores e outros penetradores, isso vai definir sua posição em campo, mas ser polifuncional é uma virtude que todo jogar moderno deve apresentar e é papel do treinador de base entender, respeitar e trabalhar o processo de desenvolvimento do atleta como jogador de rugby sempre tendo uma visão mais ampla no aperfeiçoamento deste atleta e do rugby nacional.
Henrique Dantas
www.henriquedantas.com.br
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