Equipamentos de Proteção
Nosso fisioterapeuta André Fujita fala um pouco sobre os equipamentos de proteção, que podem ser utilizados no rugby. O equipamento de hoje é o protetor bucal.
Continuação:
A Odontologia Desportiva é um novo ramo da Odontologia que visa o tratamento e prevenção de injúrias orofaciais, suas relações com doenças bucais e suas manifestações durante a prática esportiva em esportes de contato físico.
Essa nova área trabalhada procura mostrar sua importância aos colegas dentistas e a população em geral, mas principalmente aos atletas, técnicos de equipes e federações esportivas, sempre trabalhando em conjunto com a Medicina Esportiva, Fisioterapia, Nutrição, Fonoaudiologia, Fisiologia, Psicologia Esportiva e outras áreas da saúde ligadas ao esporte, formando assim uma equipe multidisciplinar.

Nos esportes, o desafio é aumentar os benefícios durante a prática esportiva e diminuir os danos. A Odontologia Desportiva tem um papel importante nesta área. A prevenção e adequada preparação são os elementos chaves para se diminuir as injúrias que ocorrem nesses esportes. Para essa nova área da Odontologia, a prevenção dos traumas orofaciais durante atividades esportivas de contato pode ser feita de diversas formas.
Em alguns esportes, a prevenção de injúrias através do uso de protetor bucal é de extrema importância como futebol americano, rúgbi, boxe, judô, jiu jitsu, handebol e hóquei no gelo. Outros classificados como esportes sem contato físico como basquete, beisebol, futebol, surfe, luta livre e skate também requerem o uso de protetor bucal mesmo não tendo alto índice de problemas dentais.
O tratamento desses problemas orofaciais é feito em consultórios dentários. Porém, o tratamento também deve ser feito durante a prática esportiva quando ocorrem tais injúrias onde o dentista deve possuir instrumental de seu consultório para o pronto-atendimento devendo ter conhecimento prévio e destreza manual para realizar diferentes procedimentos no local sem o uso de exames adicionais como radiografias e o uso de seu “motorzinho”.

Prevenir, cuidar e diminuir os traumas intraorais e faciais que ocorrem no esporte, bem como garantir a excelente saúde bucal do atleta, detectar todos os problemas do esportista tais como a respiração bucal e o mau posicionamento dos dentes, administrar medicamentos livres de substâncias que possam causar doping positivo ao atleta, oferecer o pronto atendimento nos locais da prática desportiva, estar apto a conhecer o protocolo de atendimento do médico na identificação dos traumas faciais, que possam provocar concussões cerebrais e lesões na cabeça e no pescoço.
Grande parte da população brasileira não leva a sério o cuidado com os dentes, considerando a Odontologia como cosmética e não como uma área médica. O primeiro trabalho do dentista desportivo é conscientizar o atleta da importância de sua boca estar em condição de saúde para que seu organismo não sofra interferência de problemas bucais, causando um menor rendimento físico. Problemas como má oclusão, respiração bucal, ausência dental, desordens na ATM (articulação temporo-mandibular) e focos infecciosos (problemas endodônticos, gengivais, cáries, raízes residuais) certamente trazem conseqüências prejudiciais ao bom funcionamento do organismo.
Os prejuízos mais comuns nesses casos são o mau aproveitamento do alimento ingerido, pela deficiência na mastigação e digestão; maior facilidade para ter lesões e maior dificuldade para a recuperação, pois o sistema de defesa já estará "ocupado" com os problemas bucais; diminuição da capacidade aeróbia; estafa e fadiga precoce. Estes danos se manifestam no atleta através da queda em seu desempenho e menor rendimento. É muito importante que o atleta passe por uma avaliação feita por um profissional com visão esportiva, pois se for detectado algum problema o tratamento deverá ser executado dentro da sua realidade. Detalhes como escolher o momento ideal para o início e término dos procedimentos, respeitando o seu calendário de competições, e o cuidado no uso de medicamentos que possam trazer alterações no exame antidoping podem ser esquecidos por profissionais não familiarizados com a Odontologia Desportiva.

Por enquanto, é com o estudo e o desenvolvimento de protetores bucais que a Odontologia Desportiva vem se tornando conhecida. O uso destes protetores é muito importante, uma vez que estudos comprovam que traumas desportivos são a terceira causa mais comum de traumas
na face e que os traumatismos dentais podem ser reduzidos significativamente através da proteção das estruturas dentais e periodontais. A indicação do uso se faz mais importante quando se participa de esportes de contato como handebol, basquete, hóquei, rúgby, futebol e lutas em geral, assim como na prática de esportes radicais, pelo alto risco de acidentes com muito impacto.
TIPO DE PROTETOR BUCAL
Há quatro tipos de protetores bucais:
· Protetor Bucal de Estoque: são aqueles encontrados em grandes lojas esportivas e possuem pouca variação de tamanho, normalmente sendo vendidos nos tamanhos pequeno, médio e grande. São mais baratos e também mais desconfortáveis, pois não têm alta retenção, proporcionando pouca proteção. A literatura médica e odontológica sugere e não aconselha o uso deste tipo de protetor bucal pela sua falta de retenção na cavidade bucal e pelas baixas propriedades de proteção.
· Protetor Bucal Termoplastificado: também conhecido como “ Aquece e Morde”, este tipo de protetor bucal é o mais comumente usado no mercado. Para usa-lo, deve ser aquecido em “banho-maria” e levado á boca logo em seguida, sendo ajustado pelo próprio atleta. No entanto, não é o mais indicado pois possui pouca retenção e proporcionando um efeito de mordaça pois o paciente tem que ficar com a boca sempre na mesma posição para que o protetor não caia além de não proteger todos os dentes da boca.
· Protetor Bucal Individualizado Simples: são feitos por dentistas e são mais satisfatórios que os 2 protetores mostrados anteriormente pois cumprem os critérios de retenção, adaptação, conforto e estabilidade, não interferindo na fonética e na respiração. São os mais indicados pois são individualizados e confeccionados com uma lâmina de acetato de viniletileno, cumprindo os critérios requiridos, não alterando o desempenho do atleta. Recobrem todos os dentes, distribuindo a força do impacto igualmente por toda a área coberta além de ter um custo mais acessível que o protetor bucal individualizado múltiplo.
· Protetor Bucal Individualizado Múltiplo: esse tipo de protetor bucal é mais satisfatório que o simples a vácuo pois tem 3 camadas de material termoplastificado. Seu modo de confecção é parecido com o anterior, mas devendo ser confeccionado em laboratório protético, o que acarreta num elevado custo. Quando se coloca o material sobre o modelo de gesso tem que se obedecer algumas medidas de espessura para cada parte do protetor: parte labial 3mm, parte oclusal 3mm e parte palatina 2mm. Essa espessura é importante, pois diminui a concentração de força em um impacto. Ele deve ser de material biocompatível, ter boas propriedades físicas e não ser confeccionado há mais de 2 anos.
CONCUSSÃO
A concussão é um distúrbio que causa alteração na consciência, na visão e no equilíbrio devido a um impacto direto na cabeça, rápida aceleração ou desaceleração da cabeça ou impacto direto na base do crânio por um soco no queixo.
de concussão:
· Assintomática: não possui dor de cabeça, vertigem ou prejuízo na orientação, concentração e memória durante certo esforço.
· Grau 1 (leve): sem perda de consciência mas com amnésia pós-traumática menos de 30 minutos.
· Grau 2 (moderado): perda de consciência menos de 5 minutos e/ou amnésia pós-traumática mais de 30 minutos.
· Grau 3 (severo): perda de consciência mais de 5 minutos e/ou amnésia pós-traumática mais de 24 horas.
Impactos concussivos e subconcussivos são, freqüentemente, transmitidos durante impacto na mandíbula um uma prática esportiva de contato físico. Alguns sintomas são: dor de cabeça, dor de ouvido, dor facial, fotofobia, vertigem e problemas na fala. Além disso, em um impacto no queixo, por alguns instantes, o osso temporal é afetado, de certa forma, que obstrui o feixe vásculo-nervoso em sua saída da base do crânio, havendo uma falta de sangue no cérebro, causando momentaneamente perda de audição e de equilíbrio.
Com o uso de protetores bucais individualizados feito por dentistas, todos os dentes posteriores ficam, confortavelmente, recobertos por uma razoável espessura de material do protetor, separando assim o dente do impacto na mandíbula. Isso ocorre devido à absorção e a igual distribuição de forças por todo o protetor bucal. Além disso, com o uso desse tipo de protetor, a mandíbula fica separada da maxila, o que causa um alívio na articulação têmporo-mandibular pela não transmissão de força para a base do crânio, prevenido-se assim a concussão.
Dr. Rodrigo Machado
Cirurgião dentista
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